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Estágios: é a nova ‘moda’ em Cabo Verde

Estagiário: um cursado sem experiência, sem respeito, de bolso vazio e a mente bem distante… Oh terra sofrida!

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Photo by Mimi Thian on Unsplash

Quatros anos na universidade; rabisco de sonhos no papel; um coração ávido para contribuir pelo seu país. Você sonha com o primeiro emprego e já planeja sua vida.

Mas a realidade, depois de transpor os portões da universidade, é outra. Uma realidade bem mais dura do que sonhamos.

Você é cursado, sem experiência profissional; uma empresa lhe oferece uma oportunidade de estágio por alguns dias ou meses e quando terminar este período te despede e colocam um outro estagiário em seu lugar, porque podem fazer isso.

Isso quer dizer que a empresa não precisa de você; você é descartável porque sempre poderão encontrar outro estagiário, como você, para “usarem”. E você, vai sentar em casa até surgir uma oportunidade de emprego ou procura outro estágio em uma outra empresa.

E o pior de tudo, de graça. Sorte de quem conseguir um estágio remunerado. Pode conseguir, esperando na fila do IEFP ou se cair no gosto de alguma empresa.

Essa piada precisa parar…

Quinze ou trinta dias de estágio nem serve para colocar como experiência no currículo.

Empresas que precisam de estagiários devem pensar numa forma de recrutar o estagiário ao final do estágio, ou pelo menos oferecer um estágio remunerado. Por que não oferecer estágio remunerado?

Entendo que o estágio é para treinar a pessoa para ocupar um posto que, talvez, não tenha experiência. Mas, se depois de trinta ou cento e oitenta dias (seis meses) a Empresa não contrata o estagiário, pra quê estagiar?

Pensando assim, tanto fazer estagiar ou não, certo?

E quando o estágio não é remunerado, como pagar o transporte, o almoço, comprar uma camisa nova? Melhor seria servir a um pedreiro e receber diariamente, não é? Compensaria! Depois de trinta dias o dinheiro daria para alguns kilos de arroz em casa.

Agora vamos falar ‘na lingua di terra’ …

Otu grandi verdadi eh que bo eh ka só un estagiariu, bu ta passa ta ser mininu de mandadu na nomi di estagiariu, nem sempre tem alguen na empresa pa treinau e bu tem que nguli tudo desaforu di donu de empresa ou algun mandanti la dentu…

Mas alguen podi pergunta: “e kel experiensia, eh ka ten um valor?”

  1. tem sim, eh um grandi beneficiu pa empresa, ten alguen ta trabadja pa el x meses di grasa;
  2. tem sim, un grandi benefisiu pa mi si dipos di trabadja di grasa n tiver un oportunidadi di trabadju; se não, pa kuse n mesti experiensias di 1, 2 ou 3 meses na 50 empresas si na final di contas nem eh ka ta sirbi pa pa kumpri kes exigencias de 5 anos de experisia pa un empregu?
  3. experiensia ê experiensia sempri, mas es situason di nos terra eh maz uma explorasan di que oportunidadi (disso q falo);

Nós q bai escola ku sacrifisiu pa ten um formason, nu ka podi fika ta mendiga estagiu de 1, 2, 3 ou 6 meses di grasa i dipos permite ser deskartadu pa nenhum empresa, isso eh desvaloriza bu pessoa komu profissional; empresa ka podi fika ta odjanu komu mendingus maz komu un kolaborador (cursadu, ku bagagem msm q teoriku, ku konhesimentu) q podi djuda empresa a kresci…

Mas, pa kelotu lado, txeu bes bu ten que bai simé, ku esperansa ma algun empresa ta contratau.

Haja empregu i muita força pa nós recem-formadus i kes que te inda sta estagia!

Este mesmo texto foi compartilhado na Página Vagas Cabo Verde no Facebook, e as histórias de estagiários são tristes de se ouvir. Leia!

Onde conseguir estágios remunerado em Cabo Verde?

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“O maior medo das pessoas é o sustento da família e o rendimento dos agregados”, Lucas Leite Monteiro

Lucas Leite Monteiro, Secretário da Direção do Observatório da Cidadania de Cabo Verde, em entrevista à E-Global

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Lucas Leite Monteiro, Secretário da Direção do Observatório da Cidadania de Cabo Verde, em entrevista à E-Global refere que parte da população ainda resiste às medidas de confinamento, pois vive do setor informal e receia perder os rendimentos.

Para minorar esses casos, o Provedor do Mindelo em estreita colaboração com o Observatório da Cidadania de Cabo Verde tentam responder através de ação concertada a todos os pedidos de ajuda que chegam. Lucas Leite Monteiro afirma que combater o novo coronavirus é um importantíssimo ato de cidadania a que todos devem responder

Como considera que tem sido a atuação dos cabo-verdianos em relação às medidas de contingência social já tomadas?

Do nosso ponto de vista (falo como Secretário da Direção do Observatorio da Cidadania de Cabo Verde), a população tem colaborado em certa parte, visto que há alguns grupos etários e sociais que ainda resistem às medidas de Dever de Recolhimento impostas pelo Decreto Presidencial de 28 de março. Há apenas um restrito número de pessoas que estão autorizadas a estar na rua por trabalharem nos serviços essenciais do Estado. Mas a Polícia Nacional já começa a tomar medidas mais duras, que passam pela detenção e apresentação de indivíduos ao Tribunal, visto que alguns direitos Constitucionais, como o direito de livre circulação, foram suspensos.

O vírus em Cabo Verde ainda não aumentou de forma exponencial mas lojas, hotéis, escolas já se encontram encerradas. As pessoas já sentem que esta é uma situação que vai durar por muito tempo?

Sim. Por precaução foram tomadas medidas duras, por parte do Governo, para que se contivesse o contágio na população. Medidas, diga-se de passagem muito bem tomadas. Mas o maior medo das pessoas é o sustento da família e o rendimento dos agregados. Grande parte das famílias vive do sector informal e estando confinadas não têm como gerar renda

Haverá apoios para as famílias mais desfavorecidas por parte das autarquias para que bens alimentícios e de primeira necessidade não escasseiem nas próximas semanas?

Sim, claro. Há uma campanha (várias digo) que a Autarquia está a levar a cabo para dar esse apoio. Nas plataformas PROVEDORDEMINDELO e OBSERVATORIO-CIDADANIA-ATIVA-CABO-VERDE temos estado a receber cerca de 30 a 50 pedidos de ajuda diários que, são imediatamente enviados à Ação Social da Câmara, à Delegacia de Saúde para triagem e apoio. A Articulação está a ser feita num grupo de coordenação criado para o efeito.

E que  campanhas estão a ser feitas para reduzir o risco de propagação do vírus especialmente entre as camadas de população mais vulneráveis, como os idosos?

Neste momento estão a decorrer muitas campanhas que estão a ser divulgadas na rádio e televisão, pricipalmente, mas no terreno as Entidades de Saúde têm estado sempre presentes, bem como a Proteção Civil de Cabo Verde, a INSP – Instituto Nacional de Saúde Pública, a DNS – Direção Nacional de Saúde, a Cruz Vermelha, o Exército, a Polícia Nacional têm estado no terreno a fazer sensibilização e desinfestação nos bairros.

Neste momento, há muitas pessoas que se sentem ansiosas e podem sentir-se mais fragilizadas. Essas pessoas podem entrar em contacto com alguém, sem pressionar a linha verde, fundamental para o atendimento a doentes que manifestem sintomas do novo coronavírus?

Desde a primeira hora, foi criada uma linha de apoio 800 11 12 (embora sobrecarregada) para dar apoio às pessoas. Há um conjunto de psicólogos que têm atendido casos de pessoas que revelam ansiedade, stress. Mas, a própria Associação de Psicólogos de Cabo Verde disponibilizou uma linha de atendimento às pessoas. e nós mesmos fizemos isso, nas plataformas acima indicadas, temos prestado esse tipo de apoio.

Tendo em conta que a diáspora cabo-verdiana é em grande número e que muitas famílias querem estar juntas neste momento, mas atendendo a que necessitam de um período de quarentena, já se estudou a hipótese de várias unidades hoteleiras poderem disponibilizar quartos para esses períodos de confinamento?

Isto está a ser feito desde o início para quem estava fora por motivo de férias ou em serviço e que regressam agora ao país. Nesses casos, estão a ser postos em  quarentena obrigatória.

Fonte: e-Global

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Povo Fla

Os 10 Erros nas Projeções sobre o Coronavírus em Cabo Verde, segundo o médico Julio Andrade

O médico e presidente do Conselho da Administração do Hospital Central Agostinho Neto, Júlio Andrade, analisa os estudos sobre Projeções da COVID-19 em Cabo Verde e aponta 10 erros.

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Segue, na íntegra, texto publicado pelo médico Júlio Andrade, em seu perfil no Facebook, apontando os erros nas projeções sobre o coronavírus em Cabo Verde, divulgada pela InforPress no dia 12 do corrente mês.

A PROPÓSITO DOS ESTUDOS SOBRE AS PROJEÇÕES DA INFECÇÃO DO COVID-19 EM CABO VERDE

Tendo em consideração o estudo recentemente publicado, com pompa e circunstância, achei ser meu dever de cidadão e de médico, por a minha experiência de combate a endemias e epidemias ao longo dos meus 34 anos de exercício de medicina, nomeadamente no combate da Lepra, Tuberculose, Paludismo, Cólera, Dengue, Zica e COVID19, ao serviço da opinião pública, deixar a minha opinião sobre a divulgação dos estudos sobre as projecções da infecção em Cabo Verde.
Aproveito desde já para manifestar que não conheço o estudo, mas sim os dados publicados na comunicação social.

Ninguém discute a importância de estudos científicos que facilitam a tomada de decisões, mas é sempre prudente ter-se em conta as limitações do próprio estudo. Das informações vindas a público, parece que se utilizou uma metodologia com modelos retirados da evolução da epidemia noutros países. Pode ser aceitável não só como exercício académico, mas também como uma simulação, mas há que ter em conta as limitações que devem ser explicitadas.

Tenho enorme respeito e consideração pela capacidade técnica e intelectual pelo meu amigo e contemporâneo liceal, engenheiro José Augusto Fernandes, mas na minha humilde opinião, está profundamente equivocado e espero que esteja errado pelas seguintes razões:

1º. Partiu de pressupostos errados, 7% da população está infectada, ao tomar dados de análises feitos em Cabo Verde o que não é equivalente a uma amostragem aleatória na população geral;

2º. Parece-me, pelas informações que pude colher na comunicação social, não levou em consideração os grupos etários da nossa população, que é maioritariamente jovem ao contrario do estudo não partiu de cenário real, mas virtual;

3º. Ignorou que somos ilhas, com uma forte componente rural, realidades que facilitam a criação de cordão sanitário e reduzir a propagação do vírus;

4º. Não partiu de uma amostragem aleatória, mas sim de análise de doentes com suspeitas de COVID19, que nada tem a ver com a incidência da doença na população geral;

5º. Ignorou evidências científicas e estatísticas mundiais que demostram, de forma categórica, que em cada cem infectados, quinze a vinte terão sintomas e precisarão de cuidados médicos e cinco necessitarão de cuidados intensivos. Em cabo verde só três nacionais necessitaram ainda de cuidados médicos o que significa, a meu ver, haverá, no máximo, 15 pessoas infectadas em Cabo Verde;

6º. Nós conhecemos o número de testes positivos, mas outro aspecto a considerar é o número de testes realizados. Talvez fosse razoável ponderar o seu número ainda reduzido. Isso relativizaria os resultados, não é? É importante o ponto de partida. Se partirmos de primícias que não são muito rigorosas, o resto pode ficar comprometido. Vendo assim, muito rapidamente, e não esquecendo qual a situação actual, não parece muito plausível e estaticamente quase impossível que em três meses (Julho), venhamos a ter o numero de infectados projectado nos dois estudos apresentados;

7º. Ignorou que países como Coreia do Sul, República Checa, China Continental, Macau e Hong Kong que conjugaram isolamento social e uso de máscaras universais a incidência de COVID19 foi das mais baixas do mundo e que não tiveram evolução em pico mas sim em planalto;

8º. Este estudo não serve para tomada de qualquer decisão racional no Sector da Saúde e veio muito extemporâneo, numa altura em que a evidência mostra o contrário das previsões dos dois estudos apresentados;

9º. Cabo Verde, apesar de ter muitas fragilidades no Sector da Saúde, tem um SNS minimamente estruturado e relativamente resiliente e com as medidas assertivas já tomadas pelo Governo não prevejo nenhum dos cenários apresentados.

10º. Os cenários apresentados são irrealistas e não se verificaram ainda em nenhuma latitude, pelo que a população deve continuar ter autodisciplina e respeitar as recomendações do Governo de SNS. Tanto assim é, que o primeiro “modelo não serve, está ultrapassado” visto que medidas várias foram tomadas (lavagem das mãos, distanciamento social, fecho das escolas, isolamento, fecho de fronteiras, quarentenas, estado de emergência com as restrições inerentes, etc.). É evidente que todas essas intervenções (e outras) influenciam a(s) curva (s) e o que ela(s) representa(m).

Sendo o primeiro modelo ultrapassado, não vi muita razão para se insistir tanto nele. Se nada tivesse sido feito e se se esperasse pela imunidade de grupo (mais de 70% da população infectada) a situação eventualmente poderia ser uma daquelas que se apresentou.

Para terminar, creio ser possível que isto tudo esteja na base da leitura que se tem feito (veja-se particularmente o artigo da Inforpress); não esclareceu nada e trouxe aquilo que menos precisamos neste momento: a perda da nossa tranquilidade para melhor podermos cumprir aquilo que as autoridades nos recomendam.

Decidamente, não é uma mensagem que a população precisa neste momento para continuar fazer face com sucesso à pandemia do Covid-19.

Praia, 11 de abril de 2020

Julio Barros Andrade

Fonte: JBA

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Coronavírus, Economia e a Ganância Humana. Uma reflexão imparcial e realista.

Não é um ‘puxa saco’ político, é uma opinião pessoal. Leia e comente, concorde se quiser.

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No dia 1 de Dezembro de 2019, o mundo ouviu falar da pandemia de COVID-19, uma doença respiratória aguda causada pelo coronavírus de síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2), e no dia 31 de Dezembro foi reportado o primeiro caso, em Wuhan, na província de Hubei, República Popular da China.

De lá pra cá, 1.400.000+ pessoas já foram infectadas, mais de 300.000 casos recuperados e mais de 85.000 mortes.

Não fazendo exceção de pessoas, a COVID-19 já matou crianças, jovens, adultos e velhos. O homem está assustado e até a OMS já considerou o coronavírus como sendo a ‘maior crise sanitária mundial da nossa época’.

E neste meio tempo, de praticamente três meses, a nossa rotina mudou, nossos hábitos mudaram e foi apelado o isolamento social, a ficarmos dentro de casa, para não nos contaminarmos e propagarmos o vírus (uma das medidas de prevenção impostas pelo nosso e muitos governos no mundo), no entanto, as opiniões divergem e alguns não querem ficar em casa; querem continuar a sua rotina normal, justificando que “a vida não pode parar” e muitos líderes mundiais que ignoraram o isolamento social tiveram que voltar atrás, reconsiderando esta medida como necessária.

Uns defendem a economia a custo de vidas humanas, já fazendo projeções futuras e não querem que a economia pare; outros estão com medo de perder sua posição na política; e outros não querem perder o prestígio de serem potências mundiais. Outros ainda, na busca desenfreada para “proteger o seu quintal” colocam até a amizade entre países em causa (e isso já é um bom motivo para guerra).

Parece que nunca fomos preparados/educados para viver numa situação de crise como esta.

Para os “profetas” de nossos dias, que olham para os astros e profetizam sobre o futuro, o ano de 2020 seria um ano promissor, mas de repente a profecia não cumpre. O que vemos é o sofrimento e luta de milhares para que não lhes faltem o ar e morram.

O mundo já viveu diversas crises, com prejuízos de muito dinheiro e vidas. Mas, o que aprendemos com elas?

Voltamos ao ponto de reflexão, mais concretamente a situação de Cabo Verde face ao COVID-19, que até o momento tem 7 casos confirmados e 1 morte.

O ponto em questão, que eu gostaria que refletíssemos, é a forma como temos comportado perante este mal.

O governo decretou estado de emergência a partir das 0h00 do dia 29 de março e nesses 11 dias já presenciamos o desespero das pessoas, uma louca correria atrás de mantimento (comprando mais do que precisam para estocar em casa, esquecendo que não podemos estocar comida para comer para sempre e que “a vida não é sobre tudo o que seu dinheiro é capaz de comprar”); muitos fazendo filas em farmácias e comprando todo o estoque de produtos (máscaras, álcool gel, luvas), ditos essências na prevenção, esquecendo que aqueles que mais precisam deles (os que sofrem de problemas respiratórios, profissionais de saúde e outros) – podem não encontrar para comprar; comerciantes reclamando de terem que fechar os estabelecimentos comerciais mais cedo; reclamações de empresários que precisaram fechar a empresa e uma onda de descontentamento sem precedentes com as medidas impostas pelo governo no combate ao COVID-19.

Pense comigo!

O governo decretou o estado de emergência até o dia 17 de abril; se esse prazo vai ser prolongado ou não, não sabemos; tudo vai depender da evolução, ou não, do vírus no país, mas o prazo do decreto ainda é este. Uns 20 dias, no total, se não estiver errado este cálculo. E esta medida vem à tona em um momento em que a prioridade é a saúde pública. E quando pensamos que se não cuidarmos deste detalhe, frente a um vírus mortal, vamos colocar em causa o mais essencial, que é a vida, e todo o resto que fazemos com vida. Mas parece que isso é difícil de ser compreendido por todos.

Vendeiras informais já reclamam que se não venderem não terão o que comer; condutores de Hiace já reclamam que agora transportam poucos passageiros e não é lucrativo, pedindo ao governo que faça isenções das muitas taxas que pagam por aí; produtores de queijo já foram à Rádio falar da preocupação com o estoque de queijos que não tem saída porque não tem barcos para os transportar; donos de bares reclamam de terem que fechar às 21h, sob o pretexto de que são os clientes que pagam suas despesas; artistas reclamam que se não fizerem shows não terão meios de sobreviverem; empresários reclamam que se não venderem não terão lucros, que o negócio vai falir e que não podem pagar os funcionários; e outras infinitas reclamações.

Só faltou aqueles que nada têm dizerem que já morreram já.

Tudo isso, só porque fomos apelados a ficar em casa vinte dias, digamos assim. Só 20 dias. Mas se a situação não mudar vamos continuar outros 10, 20, 30 dias e quantos dias forem necessários, porque isso é sobreviver numa crise, de um mal que nenhum de nós pode fazer nada para o eliminar já. Custa colaborarmos?

Nas redes sociais só se fala disso. Cada um reclama de seu “bico e bucho”. Pergunto: a culpa, de quem é? Fomos tirados nossa liberdade ou tivemos que agir pelo bem de todos? Cabo Verde vai deixar de ser um estado laico?

Será que em um período de 15 ou 30 dias se não produzirmos e não vendermos nada vamos morrer? As empresas vão falir em 30 dias se não lucrarem? O governo já determinou medidas para as empresas em relação aos seus trabalhadores, já foram tomadas medidas para ajudar os mais necessitados. ONGs estão mobilizando recursos e pedindo ajuda para apoiar os mais desfavorecidos de nossa sociedade. A FMI já fez empréstimo de milhões de dólares ao país no combate a este vírus; e por todo lado estamos vendo iniciativas para sobrevivermos a isto.

E se tivemos que ficamos isolados por um ano? Vamos nos matar por causa disso? Não têm nenhum trocado no banco, oh empresários? Se sim, não dá pra comprar comida por 30 dias?

Fico pensando: vamos mesmo morrer de fome por falta de comida ou pela ganância de querer lucrar todos os dias e sempre? E irracionalmente, colocamos em causa o mais importante, a vida. Mortos não vendem, não comem, não criam nem gerenciam negócios, concorda? Então, é demais ficar em casa para proteger a si e os seus, enquanto ajudamos a conter a propagação do vírus e depois podermos sair e fazer o que quisermos de nossa vida?

Já ouvimos casos em que a polícia teve que intervir porque muitos, simplesmente, não colaboram com as autoridades por uma causa nobre nossa, o bem de nossa própria vida.

Pense nisso. O mais importante não é vender ou ganhar agora; o mais importante é estar vivo, e com saúde você procura o pão depois.

Vamos acatar as orientações do governo, as orientações dos órgãos de saúde pública e juntos vencermos esta causa. Quanto mais colaborarmos mais rapidamente esse mal será eliminado de nosso meio e poderemos voltar à nossa rotina.

Cabo Verde não é um pais rico. Dizem ser de desenvolvimento médio. Oxalá seja mesmo verdade. Mas penso que se a crise durar um ano não vamos morrer por causa de comida, certo? O essencial numa crise é sobreviver e nós, (srsrs) nós sobrevivemos todos os dias neste país.

Mas lembre-se: a vida não é só de dias bons, existem dias ruins e estamos vivendo estes dias agora. Quando chover plante, colha os frutos e guarde um bocado para os dias maus, e assim saberemos estar em paz, de bucho cheio, sem reclamar, nos dias de seca ou numa crise.

E que depois de tudo isto tenhamos aprendido alguma coisa boa, quem sabe ser grato pela vida por ter cuidado de si e dos seus.

Fique Em Casa. Sta Na Bu Mon, Sta Na Nos Mon

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